domingo, 24 de outubro de 2010

Pirando sobre o que é bom, e sobre o que não é também

Quantas vezes você que curte música, independente do estilo, não ouviu um amigo (a) dizer pra você "Cara, conheci uma banda muito foda, tem o som mais foda que já escutei no mundo... A guitarra é foda, o baixo é foda, a bateria é foda, o vocal é foda, é tudo muito foda", aí você vai, procura na internet baixa a discografia, compra o cd pela internet e tal, e quando ouve não acha tão bom assim o som?

Enfim, nem sei porque comecei o texto com esse parágrafo inútil, mas a questão é que, quem pode dizer o que é bom e o que não é? VOCÊ, meu amigo, apenas você pode dizer o que é bom! E isso não vale apenas pra música, vale pra absolutamente qualquer coisa que provoque algum sentimento em você (incluam-se aí filmes, esculturas, pinturas, livros, textos, reportagens, fotografias, etc, etc, etc...)

Então, caro leitor, gostaria que você levasse esse post em consideração: PARE DE SER UM IDIOTA E CONSUMIR O QUE A INDÚSTRIA CULTURAL ESTÁ EMPURRANDO GOELA ABAIXO APENAS PARA DIZER QUE VOCÊ É UM CARA "NA MODA"!

Vivemos num mundo onde tudo é muito mais rápido. Hoje uma internet de 10 mega de velocidade já não é tão rápida, onde HD's com mais de 1 terabyte de memória já são comuns. As informações explodem na tela do seu computador, as propagandas dominam cada vez mais o tempo nas rádios e televisões, e tudo isso fica aí, registrado dentro da sua cabecinha, e o que acontece? Você vê o produto (entenda-se por produto todos os exemplos que citei acima), você (geralmente) não procura se informar a respeito do produto e, por fim, acaba CONSUMINDO o produto!

Fiquei prostituído da minha cara quando eu estava indo em um bar/casa de shows de rock e entrou no onibus uma menina. Vestida com uma camiseta de uma banda consagrada pelos metaleiros mundo a fora, ela veio me pedir uma informação. Vou tentar reproduzir o diálogo aqui e vocês vão entender a minha indignação:

-Oi, moço, tudo bem? você poderia me dar uma informação?

-Claro que posso!

-Você sabe me dizer onde fica o bar X?

-Sei sim, estou indo pra lá também, vamos juntos?

-Sério, que legal! Eu nunca fui nesse bar!

-Nossa, engraçado, é o maior bar de metal aqui da cidade... Quase todos os metaleiros vão pra lá no fim de semana!

-É que eu era vileira (pra quem não é de Curitiba, definição de vileiro: sabe aqueles caras que andam no onbius ouvindo musicas no celular, usam roupas geralmente cor-de-rosa ou "azul bebê", cheia de pelucias no gorro e com uma estampa "XXL" na frente, e alem disso usam piercings fosforecentes em locais, hum, "alternativos" do rosto? Então...)

-como?

-É isso mesmo, faz só 3 semanas que sou metaleira.

PORRA!

PORRA!

PORRA!

Olha a alienação em pessoa!!!! Enquanto ser vileiro era modinha, ela foi vileira, e depois que começaram a ser mal vistos, a estúpida vem pagar de metaleira, com crucifixo de cabeça pra baixo, cabelo com uma cor um tanto quanto diferente, coturno e toda de preto (isso porque eu não citei quando comentei com ela sobre o Black Sabbath e ela me perguntou se Ozzy Osbourne era uma banda nova...)

Tá vendo o ridículo que vocês, pré adolescentes despentelhados passam ao ouvir essas musiquinhas que os grandes meios de comunicação de massa enfiam no seu cérebro? Vai dizer que não é modinha? Ou vai dizer que um bando de adolescentes que mal saíram das fraldas são capazes mesmo de escrever uma letra sobre amor que não seja superficial? Pois deixa eu te contar a verdade. O amor desses meninos vem com capa, algumas fotos dentro e eles amam no banheiro, e depois escondem todo esse amor em algum lugar em que eles têm certeza que seus pais não vão descobrir!

De qualquer maneira, a mídia quer que você ouça essas porcarias (e não, não estou falando só dos "coloridos"), e sabem por que? Vocês estão sendo manipulados, controlados, assim, quando chegarem à fase adulta, serão mais facilmente manipuláveis em questões muito maiores.

Quando penso nisso, me sinto vivendo no mundo criado -brilhantemente criado, diga-se- pelo escritor Aldous Huxley em "O admirável mundo novo" (sim, pré-adolescente manipulado, isso é um livro, e, se você sabe ler, LEIA), onde as pessoas já são ensinadas, desde bebê, a seguir determinado comportamento para atender as necessidades da população. Cada vez mais o ser humano deixa de ser um indivíduo, passa a ser apenas mais um andróide, mais um número.

Me envergonha ver que no meu país, onde Caetanos, Gilbertos, Chicos e tantos outros lutaram a ponto de serem expulsos de sua nação para garantir para nós, a nova geração, o direito de liberdade de expressão, esse direito conquistado ser jogado na Merda, junto com coisas enfadonhas, bizarras, feitas apenas com um objetivo: lucro, dinheiro e mais dinheiro.

Enfim, não estou aqui pregando que o meu estilo é melhor que outro. Mas por favor, não diga que você gosta de determinado produto simplesmente porque ele tá na moda, dê um motivo CONCRETO ("O Pê Lanza é lindo" não é um deles).

Enfim, esse texto pode parecer meio desconexo, meio perdido, mas apenas divaguei por uns instantes e resolvi expressar minha total indignação perante essa juventude ridicula que passa por mim com roupas mais ridículas ainda na rua a todo instante.

Termino aqui com um pensamento que me bateu forte na cabeça: numa família, todos se conhecem. Se algumas pessoas nem sabem que você existe, você não faz parte da família.

Como sou músico, vou colocar um exemplo musical aqui. Embaixo vocês vão ouvir uma banda "colorida" e depois algo que eu considero mais inteligente (prestem atenção em tudo, desde a letra até a afinação dos vocalistas):

Restart - Levo Comigo (letra superficial, que não diz nada, além disso, o Mallu Magalhães cover - que "toca" baixo - canta pelo nariz, horrível, péssimo, aff...)



Scorpions - New Generation (fiz questão de colocar essa música pela mensagem, espero que entendam. Ah, para facilitar procurei uma versão legendada, não está 100% correto, mas dá para entender a mensagem)




Bom, acho que é isso... abrá!

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